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Selic: por que o Banco Central pode parar de cortar juros após a reeleição de Lula?
Publicado em: 04/11/2026 00:00
O Banco Central chega à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) diante de um cenário mais complicado para decidir o futuro da taxa básica de juros, a Selic. A expectativa predominante entre economistas é a de interrupção do ciclo de cortes, com manutenção da taxa em 13,75% ao ano; parte dos analistas ainda considera possível uma última redução de 0,25 ponto percentual, levando os juros a 13,50% ao ano. A deterioração das expectativas de inflação e a incerteza sobre a condução das contas públicas reduziram o espaço para novas reduções, e o comunicado do BC deve ser acompanhado de perto em busca de pistas sobre a trajetória dos juros em 2027. A reação do mercado ao segundo turno das eleições dimensioou essas preocupações: o Ibovespa encerrou a semana de 30 de outubro com queda de 18,12%, a quinta maior desvalorização semanal desde o início do Plano Real, e as empresas listadas perderam R$ 963 bilhões em valor de mercado no mesmo período, segundo levantamento da Elos Ayta. A preocupação é que, sem mudança na condução das contas públicas, o país continue convivendo com juros elevados, o que dificulta investimentos, encarece o crédito e limita o crescimento econômico. Em 12 meses até setembro, o setor público acumulou déficit nominal de R$ 1,28 trilhão, com dívida bruta em 82,9% do PIB (R$ 11,1 trilhões), ante 71,7% do PIB em dezembro de 2022. Especialistas apontam o ciclo entre dívida alta, prêmio de risco e juros longos como o principal temor do mercado. Nos 12 meses até setembro, os juros pagos pelo setor público chegaram a R$ 1,205 trilhão, enquanto o déficit primário foi de R$ 70,1 bilhões; o superávit primário de R$ 4,84 bilhões em setembro foi puxado em parte pelo cancelamento de R$ 12,8 bilhões em precatórios, sem o qual o resultado teria sido negativo em aproximadamente R$ 8 bilhões. Na reação pós-eleitoral, vencimentos intermediários e longos dos juros futuros abriram cerca de 250 pontos-base e a inflação implícita de cinco anos subiu cerca de 1,2 ponto percentual, próximos de 7% ao ano — movimentos que pressionam câmbio, preços e a própria margem de manobra do BC na política monetária. Os efeitos dos juros elevados já aparecem no crédito: o último Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central indicou sistema bancário sólido, com níveis adequados de capital e liquidez, mas o comprometimento da renda das famílias com dívidas atingiu o maior nível em 21 anos e os indicadores de inadimplência e de operações problemáticas avançaram. Com mais consumidores e empresas em dificuldade para pagar empréstimos, os bancos reservam mais recursos para cobrir possíveis calotes, ficam mais rigorosos na concessão de novos financiamentos e elevam as taxas, resultando em crédito mais caro e mais difícil de obter justamente quando famílias e empresas precisam de recursos para reorganizar dívidas e manter consumo e investimentos. Analistas destacam que uma redução da Selic aliviaria o quadro de forma gradual, sem efeito imediato e dependendo também da disposição dos bancos para emprestar, já que parte relevante da renda de muitas famílias já está comprometida. Além da manutenção em 13,75%, alguns analistas avaliam que a desaceleração da atividade econômica e projeção de inflação ainda próxima da meta podem justificar um último corte de 0,25 ponto percentual, com comunicado mais cauteloso. Para o mercado, pontos de atenção no comunicado do Copom incluem a indicação de se o BC pretende apenas interromper temporariamente o ciclo de cortes ou se ainda considera possível retomá-lo, além de referências mais explícitas ao câmbio, às expectativas de inflação e ao risco fiscal como sinal de que os juros podem permanecer elevados por mais tempo. suggested_title_ia": "Selic: por que o Banco Central pode parar de cortar juros após a reeleição de Lula? — relevância para crédito, risco e inadimplência", "tags": ["Selic", "crédito", "inadimplência", "risco fiscal"]}
FONTE ORIGINAL:
https://g1.globo.com/google/amp/economia/noticia/2026/11/04/selic-por-que-o-banco-central-pode-parar-de-cortar-juros-apos-a-reeleicao-de-lula.ghtml
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