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"A arte está em saber quem merece crédito": o recado do ABC Brasil (ABCB4) para empresas em meio à pressão dos juros
Publicado em: 05/11/2026 16:31
Diretor de Relações com Investidores, Estratégia e Business Development do Banco ABC Brasil, Ricardo Moura descreve um mercado de crédito dividido em dois extremos: empresas disputadas por todos e companhias com dificuldade de acesso a financiamento. "A arte está na boa concessão e em saber diferenciar quem merece crédito", afirmou, em entrevista ao Seu Dinheiro. Com juros elevados por mais tempo e inadimplência sob pressão em diferentes segmentos, a seletividade bancária abre espaço para novas oportunidades de financiamento para alguns perfis, enquanto restringe o crédito para outros. No terceiro trimestre, a carteira de crédito expandida do banco chegou a R$ 60,4 bilhões, alta de 15,5% em 12 meses e de 7% frente ao trimestre anterior. O lucro líquido somou R$ 273,7 milhões, avanço de 6,4% no trimestre e de 6,6% em um ano, e o retorno sobre o patrimônio líquido anualizado (ROAE) subiu para 15%. A instituição manteve a projeção de crescimento da carteira expandida entre 6% e 10% em 2026, sinalizando que o ritmo observado não deve ser tratado como nova velocidade permanente. Para analistas, o balanço demonstrou um resultado bem administrado, provavelmente neutro para a ação. Após um período de abundância de recursos, o mercado voltou a diferenciar com mais rigor o risco de cada tomador, e essa diferença reapareceu nos preços. Empresas com balanços sólidos e receitas previsíveis encontram condições de financiamento relativamente melhores; aquelas que combinam margens apertadas, endividamento elevado e dificuldade para repassar custos aos preços ficam mais vulneráveis. Não por acaso, as carteiras Corporate e Middle cresceram 19,2% e 14,5% na comparação anual, mas a instituição pretende manter espaço em diferentes segmentos para evitar concentração e volatilidade. Sobre a inadimplência, Moura avalia que o crédito bancário para pessoas jurídicas tende a atravessar a virada do ciclo em condições relativamente melhores que outros segmentos, considerando maior alavancagem acumulada na pessoa física e em empresas que recorreram ao mercado de capitais. Ele reconhece pressão em empresas menores e casos pontuais de companhias de grande porte, mas vê a alta da inadimplência corporativa como gradual e ainda distante dos níveis de 2016. Parte da exposição a empresas menores está vinculada a programas com garantias públicas, como o Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), que ajudam a reduzir a perda efetiva das instituições. No trimestre, o banco reforçou as provisões para eventuais calotes em 37%, para R$ 109,8 milhões, com qualidade dos ativos estável. A expansão apoiou-se em operações com relação risco-retorno considerada atrativa em nichos onde financiadores tradicionais reduziram a exposição, combinada a uma posição de capital confortável. Em setembro, o banco emitiu R$ 600,9 milhões em letras financeiras subordinadas perpétuas, classificadas como Capital Complementar de Nível 1, com acréscimo de 1,05 ponto percentual ao índice de capital de Nível 1. A margem financeira alcançou R$ 697,7 milhões no trimestre, alta de 5,8% frente ao período anterior, e o índice de eficiência caiu para menos de 38%. O principal risco apontado pelo executivo é o risco de crédito, em um cenário de juros altos que aumenta o peso do serviço da dívida e reduz a visibilidade sobre a capacidade de pagamento dos clientes. Para administrar a exposição, o banco prevê combinação de provisionamento, diversificação da carteira, capital, critérios rigorosos de concessão e controles internos. A instituição também busca ampliar receitas menos dependentes da alocação de capital por meio de cross-selling, e a disputa por clientes de melhor qualidade tende a se acirrar, enquanto companhias mais arriscadas podem encontrar cada vez mais dificuldade para conseguir financiamento.
FONTE ORIGINAL:
https://www.seudinheiro.com/2026/empresas/a-arte-esta-em-saber-quem-merece-credito-o-recado-do-abc-brasil-abcb4-para-empresas-em-meio-a-pressao-dos-juros-miql
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