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Banco paraguaio Ueno usou dinheiro próprio para simular venda de US$ 74 milhões, diz MP
Publicado em: 05/11/2026 11:26
O Ministério Público do Paraguai identificou um suposto esquema de fraude financeira no Ueno Bank, acusado de utilizar recursos da própria instituição para simular a venda de uma carteira de créditos avaliada em US$ 74,4 milhões. A operação teria sido realizada por meio de empresas intermediárias, algumas vinculadas aos controladores do banco, com o objetivo de ocultar a verdadeira situação patrimonial da instituição. As informações foram divulgadas com base em investigações do Ministério Público e do Banco Central do Paraguai. Segundo os investigadores, a carteira, composta por empréstimos concedidos ao Grupo Hendy, Grupo M e MOWI, foi formalmente adquirida pela Vinanzas SA em 15 de junho de 2026, e o Ministério Público identificou que a compradora também pertencia ao Ueno Bank. Um dia antes da aquisição, a empresa possuía apenas US$ 93,8 mil em sua conta; em 15 de junho, recebeu US$ 76,06 milhões e, poucas horas depois, utilizou parte dos recursos para comprar a carteira. O dinheiro teria origem em empréstimos concedidos pelo próprio Ueno Bank a outras empresas entre 11 e 15 de junho, o que permitiria que os recursos retornassem à instituição sob a aparência de pagamento por uma venda legítima. O rastreamento das operações identificou cinco financiamentos realizados pelo banco: US$ 10 milhões cada para a Technoma e a La Tropa Fletes em 11 de junho, e, quatro dias depois, US$ 35 milhões para a HD Invest, US$ 20 milhões para a Satec e US$ 8,6 milhões para a Factopar. Parte dos valores teria sido transferida diretamente à Vinanzas; outra parte passou por outras companhias, incluindo o Grupo Vázquez, controlador majoritário do Ueno Bank, antes de chegar à compradora. Os investigadores suspeitam que empresas tenham atuado como intermediária para disfarçar a origem dos recursos, permitindo ao banco registrar a transferência dos créditos sem entrada efetiva de dinheiro externo à instituição. O Ministério Público afirma que a situação impediria conhecer o estado real da situação patrimonial da instituição, cuja carteira teria sido adquirida pela própria financeira. O caso resultou na prisão de oito pessoas ligadas ao banco, incluindo seu presidente, seu fundador e primeira vice-presidente e a segunda vice-presidente, e na investigação de outras 19 pessoas vinculadas às empresas mencionadas. As acusações envolvem condutas indevidas em situações de crise, abuso de confiança, tentativa de fraude e descumprimento das exigências de manutenção de registros contábeis. O Banco Central do Paraguai determinou o fechamento das agências do Ueno Bank, anunciou medidas para proteger depositantes e antecipou os pagamentos pelo Fundo Garantidor de Depósitos, com cobertura informada de aproximadamente US$ 38 mil por cliente. Fundado como fintech em 2021, o banco passou por rápida expansão e chegou a aproximadamente 3 milhões de clientes, mas a expansão despertou preocupação entre reguladores pelo volume de empréstimos concedidos a empresas relacionadas ao próprio grupo controlador. A Fitch revisou para negativa a perspectiva da nota de crédito de longo prazo da instituição, citando crescimento acelerado do balanço e altos ativos intangíveis. A investigação sobre a suposta venda fictícia acrescentou uma nova dimensão às suspeitas que já cercavam a instituição: a possibilidade de que operações financiadas pelo próprio banco tenham sido utilizadas para mascarar riscos e comprometer a transparência de suas demonstrações financeiras.
FONTE ORIGINAL:
https://www.brasil247.com/america-latina/banco-paraguaio-ueno-usou-dinheiro-proprio-para-simular-venda-de-us-74-milhoes-diz-mp
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