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Nem os mais ricos escapam: inadimplência dispara quase 40% em um ano entre brasileiros de alta renda

Publicado em: 05/11/2026 10:30
Nem os mais ricos escapam: inadimplência dispara quase 40% em um ano entre brasileiros de alta renda
A inadimplência avançou com força entre famílias de alta renda no último ano. Dados do Sistema de Informações de Créditos (SCR) do Banco Central mostram que, em agosto, a taxa de inadimplência cresceu 38,8% entre brasileiros com renda de 10 a 20 salários mínimos e 35,8% entre os que ganham acima de 20 salários mínimos, em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Apesar de as famílias de maior renda ainda apresentarem taxas absolutas menores, foi nesses segmentos que o indicador registrou as maiores altas percentuais. Especialistas apontam o crédito rotativo do cartão como ponto de atenção também para os mais ricos. Dados preliminares do Banco Central para setembro indicam que a taxa média de juros do rotativo chegou a 451,7% ao ano, equivalente a 15,29% ao mês, enquanto o parcelamento da fatura chegou a 193% ao ano, ou 9,37% ao mês. O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, afirma que o cartão pode ajudar no orçamento quando a pessoa se organiza, mas que a maior parte da população ainda o vê como forma de esticar o orçamento no curto prazo, com resultado em juros elevados. O cenário ocorre em meio à expansão do crédito às famílias. O estoque de operações de crédito para pessoas físicas cresceu 9,9% nos 12 meses encerrados em setembro. No rotativo do cartão, as concessões avançaram 12,6% em setembro na comparação anual, para R$ 37,3 bilhões, e no parcelamento da fatura subiram 8,4%, para R$ 17,6 bilhões. O planejador financeiro CFP Alexandre Amorim, da Planejar, relaciona o maior uso do cartão a juros altos e a mudança comportamental com o consumo facilitado pela internet, incluindo a compra por impulso. A inflação acima da meta e a trajetória da Selic também pesam no orçamento das famílias. O IPCA-15 subiu 0,32% em outubro e acumulava alta de 4,62% em 12 meses, acima do teto da meta de 4,5%. A taxa básica de juros está em 13,75% ao ano, após ter chegado a 15% no início de 2026, e, segundo Bentes, os efeitos do período prolongado de crédito caro continuam pressionando o consumo. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela CNC, mostrou que 81,6% das famílias declararam ter dívidas em outubro, ante 81,7% em setembro e 79,5% em outubro de 2025. O percentual de famílias com dívidas em atraso ficou em 29,3%, queda de 0,3 ponto percentual em relação a setembro e de 1,2 ponto na comparação anual, enquanto 12,2% afirmaram não ter condições de pagar as dívidas em atraso. Entre as faixas de renda, a proporção de endividadas caiu entre famílias com até 3 salários mínimos e acima de 10 salários mínimos, e aumentou entre as que ganham de 5 a 10 salários mínimos.
FONTE ORIGINAL:
https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/11/05/inadimplencia-alta-renda.ghtml
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