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Como a quebra do banco Ueno, no Paraguai, acabou com o governo do presidente Santiago Peña
Publicado em: 06/11/2026 15:12
O Banco Central do Paraguai anunciou o fechamento do Ueno Bank, banco digital, por falta de solvência, deixando cerca de 3 milhões de paraguaios — cerca de metade da população — sem acesso ao dinheiro em conta, incluindo 800 milhões de dólares em recursos públicos. O Ministério Público emitiu ordem de prisão contra oito dirigentes e depois imputou a 27 membros do grupo crimes de conduta indevida em situações de crise e lesão de confiança. O principal apontado é Federico Miguel Vázquez, vice-presidente do banco e acionista majoritário do Grupo Vázquez, apontado como centro de um suposto esquema de captação de recursos e fraude bancária. O caso repercutiu politicamente: deputados da oposição apresentaram projeto de impeachment contra o presidente Santiago Peña, que renunciou antes de ser afastado, e senadores apresentaram denúncia contra ele ao Ministério Público especializado em crimes econômicos, que também investiga integrantes da diretoria do Banco Central do Paraguai. Um juiz determinou prisão preventiva dos oito dirigentes do Ueno, e a Justiça ordenou bloqueio preventivo de bens no valor de 70 milhões de dólares e 1,62 trilhão de guaranis de dirigentes e das empresas U Paraguay, U Holdings e Grupo Vázquez. A reportagem descreve a estrutura atribuída ao esquema: entre 2025 e 2026, a diretoria do Ueno teria autorizado empréstimos milionários a empresas do mesmo grupo econômico, sem garantias e acima da capacidade de pagamento, com dívidas liquidadas por recursos de outras companhias do grupo, principalmente da empresa de tecnologia ITTI e de processadoras de pagamento. O banco também é acusado de ter ocultado do órgão supervisor a ultrapassagem de limites legais de crédito para partes relacionadas e de ter vendido carteira a empresa vinculada com recursos rastreados até o próprio banco. A cadeia de controle inclui a holding U Holdings, constituída em Luxemburgo, e a Ueno Holding, na qual o presidente tinha ações e anunciou a venda em março de 2025 após denúncias na imprensa. No terreno regulatório e de supervisão, a matéria registra alterações normativas que ampliaram a atuação do banco: redução de exigências do Instituto de Previdência Social para que um banco recebesse seus recursos, eliminação do limite patrimonial que a instituição podia depositar, e enfraquecimento da lei de conflitos de interesses, com nomeações de ex-funcionários do Ueno e do Banco Basa para cargos estratégicos. O Ueno chegou a receber cerca de 350 milhões de dólares do Fundo Comum de Aposentadorias e Pensões, e o texto afirma que não se sabe qual será a destinação desse dinheiro nem por quais mecanismos poderá ser recuperado. As consequências recaem sobre depositantes e trabalhadores: o governo recorreu a fundo garantidor para devolver dinheiro a correntistas com depósitos de até 75 salários mínimos, e demissões em massa atingem o Grupo Vázquez e o Ueno Bank, com número de afetados estimado entre 4 mil e 6 mil trabalhadores, incluindo profissionais da imprensa e contratados no exterior. O Ministério Público calcula que ainda restam cerca de 167 milhões de dólares e 343 bilhões de guaranis a receber, com poucas possibilidades de recuperação, o que coloca em risco o dinheiro dos correntistas e os recursos públicos depositados no banco.
FONTE ORIGINAL:
https://apublica.org/2026/11/como-a-quebra-do-banco-ueno-no-paraguai-acabou-com-o-governo-do-presidente-santiago-pena
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