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Crédito rural encolhe e dívida problemática dispara, aponta Farsul
Publicado em: 06/11/2026 14:45
Nota técnica da Assessoria Econômica da Farsul indica retração das contratações de crédito rural e avanço da carteira problemática no país. Em 12 meses até setembro de 2026, as contratações somaram R$ 327,72 bilhões, queda de 10,81% sobre o período anterior e de 22,41% frente ao pico de abril de 2024. No mesmo intervalo, a carteira problemática — que reúne operações renegociadas, prorrogadas, em atraso e inadimplentes — chegou a R$ 207,47 bilhões em julho de 2026, equivalente a 23,46% do saldo total de crédito rural, contra 5,46% em dezembro de 2023. A retração não é uniforme entre segmentos. Em 12 meses, o Pronaf cresceu 6,88%, somando R$ 71,56 bilhões, e o Pronamp permaneceu estável, com R$ 55,61 bilhões, enquanto os demais produtores contrataram R$ 200,55 bilhões, 18,18% menos que um ano antes. Os recursos a juros livres caíram 21,72% em 12 meses e recuaram 54,9% no trimestre de julho a setembro frente a 2025. Segundo a nota, o quadro aponta racionamento de crédito: com juros altos e risco maior, a oferta tende a ser restringida em vez de apenas mais cara. A Selic em 13,75% ao ano ajuda a explicar a fuga de recursos sem taxa controlada. O custeio, responsável por 52% de tudo o que se contrata, puxa a queda. No trimestre de plantio, o custeio de soja passou de R$ 36,72 bilhões em 2023 para R$ 14,05 bilhões em 2026, e a área financiada caiu de 8,03 milhões para 2,95 milhões de hectares. A Conab projeta 49,3 milhões de hectares de soja na safra 2026/27, alta de 1,4%, número que a Farsul considera pouco compatível com a retração do crédito. O risco apontado pela assessoria está menos em queda abrupta de área e mais em menor produtividade, com menos tecnologia aplicada, e em inadimplência maior. O Rio Grande do Sul segue como o estado que mais contrata crédito rural no trimestre de plantio, com R$ 14,36 bilhões, mas o volume caiu 10,56% sobre 2025 e 39,53% sobre 2023. O estado também concentra o maior estoque de dívida problemática: R$ 44,89 bilhões, ou 41,17% do seu saldo, contra 9,01% em dezembro de 2023, cerca de um quinto do total nacional. A carteira de crédito rural do país chegou a R$ 884,21 bilhões em julho de 2026, alta de 26,6% sobre dezembro de 2023, e a parte em dificuldade responde por 91,22% desse aumento. A inadimplência acima de 90 dias quase triplicou em um ano, de R$ 15,65 bilhões para R$ 45,71 bilhões. A Medida Provisória 1.376/2026, que abriu janela de renegociação até 12 de novembro, originou R$ 18,60 bilhões em novas operações até 30 de outubro, com taxa média de 9,63% ao ano e prazo médio de 8,56 anos — 8,99% da carteira problemática do país. No Rio Grande do Sul, R$ 7,78 bilhões foram contratados, mas 82,6% da dívida problemática gaúcha ficou fora da cobertura. A Farsul propõe prorrogar a janela, incluir operações lastreadas em CPR, simplificar o acesso, padronizar condições entre bancos, condicionar o benefício à capacidade de pagamento, recompor a oferta de custeio e dar transparência mensal à cobertura por estado e instituição. Os dados da nota têm base no Sicor e na Matriz de Dados do Crédito Rural do Banco Central, disponibilizados na seção Crédito do Farsul Big Data.
FONTE ORIGINAL:
https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/politica-agricola/430963-credito-rural-encolhe-e-divida-problematica-dispara-aponta-farsul.html
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