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Juros às famílias chegam a 62,4% ao ano enquanto BC interrompe cortes da taxa básica
Publicado em: 06/11/2026 05:00
Os juros médios cobrados das famílias brasileiras chegaram a 62,4% ao ano, mesmo após cinco reduções consecutivas da taxa básica de juros. Diante desse cenário, o Banco Central decidiu interromper os cortes e manter a Selic em 13,75% ao ano, prolongando o patamar elevado dos juros em um país em que as famílias já comprometem quase um terço da renda com o pagamento de dívidas. A Selic funciona como referência para os juros da economia, influenciando o que os bancos cobram por empréstimos e financiamentos e o rendimento de determinadas aplicações. Quando a taxa cai, a expectativa é de crédito mais barato, embora o efeito não seja imediato. Dados do próprio Banco Central, contudo, indicam que isso não se refletiu na média dos empréstimos às famílias: no chamado crédito livre, que inclui cartão de crédito e empréstimos pessoais, os juros subiram ao longo do período em que a Selic foi reduzida, contrariando a expectativa de alívio para o consumidor. O peso dos empréstimos aparece no orçamento doméstico. Segundo o Banco Central, as famílias comprometem, em média, quase um terço da renda com o pagamento de dívidas, percentual em alta em doze meses. A inadimplência também cresceu no crédito livre destinado às pessoas físicas. Os bancos justificam parte dos juros elevados pelo risco de não receber os empréstimos, além de despesas administrativas, impostos e margens financeiras; o Banco Central aponta ainda que parte do aumento recente decorreu de mudanças nos tipos de crédito contratados, o que impede atribuir toda a alta diretamente ao lucro das instituições financeiras. A decisão de interromper os cortes ocorreu mesmo diante de sinais de enfraquecimento da economia. No comunicado após a reunião, o Comitê de Política Monetária reconheceu a desaceleração da atividade econômica, mas considerou necessário manter os juros elevados para conter a inflação. Na prática, a manutenção da Selic encarece o financiamento de empresas e consumidores, dificulta investimentos e pode reduzir o ritmo de geração de empregos, enquanto aplicações vinculadas à taxa básica seguem oferecendo rendimentos elevados. A política também pesa sobre as contas públicas: como parte da dívida do governo acompanha a Selic, o cenário eleva o custo de financiamento do Estado. O Banco Central não estabeleceu prazo para retomar os cortes. A próxima reunião do Copom está prevista para dezembro, enquanto os brasileiros seguem enfrentando juros elevados para financiar o consumo e reorganizar suas dívidas. ## Fonte Publicado em ICL Notícias.
FONTE ORIGINAL:
https://iclnoticias.com.br/economia/juros-as-familias-chegam-a-624-ao-ano
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