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Endividamento das famílias atinge recorde e se mantém estável em junho

Publicado em: 02/08/2026 14:00
Endividamento das famílias atinge recorde e se mantém estável em junho
De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 81,6% das famílias brasileiras possuíam algum tipo de dívida em junho. O percentual é idêntico ao de maio e interrompe uma sequência de cinco altas consecutivas, mas mantém o indicador no maior patamar da série histórica. A pesquisa também aponta que 29,9% dos lares estavam com contas em atraso. O levantamento indica sinais pontuais de melhora: a parcela de famílias consideradas pouco endividadas subiu para 34,2%, e o tempo médio de atraso caiu para 64,8 dias. Especialistas, no entanto, avaliam que esses movimentos ainda não configuram uma recuperação consistente da saúde financeira dos consumidores. A pressão sobre o orçamento doméstico permanece elevada, com o crédito sendo usado para equilibrar finanças em um cenário de juros altos e custo de vida pressionado. Entre as modalidades de crédito, o cartão lidera: 84,7% das famílias endividadas têm dívidas nessa modalidade. Em seguida aparecem o carnê de loja (16%) e o crédito pessoal (13,2%). Para a especialista em finanças Ana Toledo, é preciso distinguir o endividamento saudável, como financiamentos para imóveis ou investimentos, do crédito usado para custear despesas do dia a dia ou quitar outras dívidas, que tende a aumentar a vulnerabilidade financeira. A especialista também aponta que a oferta de produtos financeiros digitais ampliou o acesso ao crédito, permitindo contratação em minutos por aplicativos. Isso reduz barreiras de acesso, mas eleva a responsabilidade do consumidor de compreender o custo efetivo das operações. Ela defende que decisões de crédito considerem planejamento de médio e longo prazo, reserva de emergência e capacidade real de pagamento. Apesar da estabilidade em junho, o endividamento permanece no nível recorde. Segundo Ana Toledo, programas como o Desenrola 2.0 aliviam o problema no curto prazo, mas não resolvem a causa quando o crédito é utilizado para sustentar o consumo cotidiano. O desafio, na visão dela, é desenvolver uma relação mais estratégica com o dinheiro, baseada em planejamento financeiro, educação e uso consciente do crédito.
FONTE ORIGINAL:
https://www.diariodecuiaba.com.br/economia/endividamento-das-familias-atinge-recorde-e-se-mantem-estavel-em-junho/747697
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