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Consignado privado cresce R$ 100 bilhões e acirra disputa entre bancos e fintechs
Publicado em: 03/08/2026 07:55
A carteira de crédito consignado privado no Brasil saltou de cerca de R$ 40 bilhões para R$ 140 bilhões desde março de 2025, quando novas regras passaram a valer. Com a integração ao eSocial, trabalhadores com carteira assinada podem contratar o crédito diretamente pela Carteira de Trabalho Digital, com desconto automático em folha e garantias como saldo do FGTS e parte da multa rescisória. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, são 104 instituições operando a modalidade, com 23 milhões de contratos e mais de 10 milhões de trabalhadores. O crescimento acelerado transformou o consignado privado em um dos mercados mais disputados do crédito brasileiro. Entre as maiores carteiras aparecem Itaú (R$ 17 bilhões), Banco do Brasil (R$ 12 bilhões), Banco Pan (R$ 8 bilhões), Santander (R$ 7 bilhões), C6 (R$ 6 bilhões) e Bradesco (R$ 4 bilhões). A fintech meutudo, por meio da Parati Financeira, figura como maior player ao lado do Itaú, com R$ 17 bilhões. Gestoras também têm entrado no mercado via FIDCs, como Neo Investimentos e ARZ Capital. O mercado, porém, ainda apresenta riscos operacionais e de crédito. Problemas técnicos no repasse dos valores descontados em folha já causaram atrasos de até 25 dias, sendo tratados como inadimplência. Também há casos de empresas que retêm valores descontados e não repassam ao credor, sem que a instituição financeira tenha título executável para cobrança direta. A assimetria de informação é apontada como barreira: há registros de inadimplência entre 10% e 50%, dependendo da transação. A regulamentação também mudou o apetite das instituições. A Resolução CGCONSIG nº 2/2026 criou dois patamares de taxa: com garantia do FGTS, teto de 1,99% ao mês; sem garantia, fórmula atrelada à taxa média do mercado, hoje em torno de 4,98% ao mês. Segundo o Banco Central, as concessões mensais caíram 22,8% entre abril e maio, período em que a nova regra passou a valer. Bancos como o C6 afirmam ter adotado avaliação de risco mais criteriosa. Apesar dos desafios, a expectativa de parte das gestoras é de forte expansão. A Neo Investimentos projeta que o mercado pode dobrar para cerca de R$ 300 bilhões em um a dois anos. O argumento central é que o consignado privado substitui dívidas mais caras, como cartão de crédito e cheque especial, oferecendo taxas mais justas ao trabalhador.
FONTE ORIGINAL:
https://neofeed.com.br/negocios/a-febre-do-consignado-privado-r-100-bilhoes-depois-a-disputa-entre-bancos-e-fintechs-esta-so-comecando
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