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Com emprego em alta, Brasil registra ocupação e inadimplência recordes
Publicado em: 29/09/2026 11:24
O Brasil registrou, no mesmo trimestre, marcadores opostos de atividade econômica e situação financeira das famílias. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, com a população ocupada em 103,5 milhões de pessoas, o maior nível da série histórica. A taxa caiu 0,3 ponto percentual tanto em relação ao trimestre encerrado em maio quanto ao mesmo período de 2025, quando estava em 5,6%. A população desocupada somou 5,8 milhões de pessoas no período. Em contraste, dados do Banco Central mostraram que a taxa média de inadimplência nas operações de crédito subiu para 5% em agosto, após 4,9% em julho — o maior patamar desde o início da série histórica da instituição, em março de 2011. O indicador considera operações com mais de 90 dias de atraso, de pessoas físicas e empresas. Entre as pessoas físicas, a inadimplência avançou de 5,8% em julho para 6% em agosto, recorde da série. Nas empresas, o indicador permaneceu estável em 3,3%, o maior valor desde outubro de 2017 (3,4%). Para economistas ouvidos, o mercado de trabalho sustenta renda e consumo, mas a manutenção de juros altos tende a desacelerar a atividade e, com o crédito mais caro, contribui para o aumento da inadimplência. O economista do ASA Investimentos, Leonardo Costa, aponta que o ritmo de criação de vagas perdeu força e que a sequência de quedas da massa salarial merece acompanhamento. A economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, indica que o crescimento da ocupação ficou concentrado em setores como construção e indústria, enquanto os demais ficaram estáveis, e que o mercado de trabalho tende a responder com atraso à desaceleração da atividade. O IBGE mostrou que o crescimento recente da ocupação se concentrou em setores específicos. A população desalentada somou 2,4 milhões de pessoas, e a força de trabalho incluiu 39,5 milhões de empregados com carteira assinada, 13,7 milhões sem carteira e 26,1 milhões de trabalhadores por conta própria. Em outubro de 2026, o Tesouro Nacional registrou déficit primário de R$ 13,58 bilhões em agosto, melhora frente a R$ 16,2 bilhões no mesmo mês do ano anterior, em valor corrigido pela inflação. Para economistas, um bom resultado das contas públicas é determinante para que o Banco Central tenha conforto de baixar a Selic mais rapidamente — desde que a inflação permaneça controlada. Na ata da última reunião do Copom, o comitê reiterou cautela na condução da política monetária diante de um cenário incerto. No último encontro, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo.
FONTE ORIGINAL:
https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/09/29/ocupacao-inadimplencia.ghtml
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