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Inadimplência cai em setembro, mas famílias comprometem mais renda com dívidas
Publicado em: 09/10/2026 17:17
O percentual de famílias brasileiras com dívidas em atraso caiu em setembro, segundo a Pesquisa de Endividadamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Foram 29,6% das famílias com contas em atraso no mês, ante 29,9% em agosto, o menor patamar desde março. Em contrapartida, o comprometimento médio da renda com dívidas avançou para 29,6%, contra 29,3% em agosto, e o tempo médio de atraso chegou a 65,3 dias, o maior desde novembro de 2024. O percentual de famílias endividadas — que têm compromissos financeiros, mesmo pagando em dia — recuou de 82% para 81,7%. A pesquisa distingue endividamento de inadimplência: uma família é considerada endividada quando tem compromissos financeiros, como parcelas de compras, empréstimos e faturas de cartão de crédito, mesmo que pague tudo em dia; a inadimplência ocorre quando há contas vencidas e não pagas. Indicadores desfavoráveis aparecem no prazo e na capacidade de pagamento: cresceu a parcela de famílias com dívidas atrasadas há mais de 90 dias, que representou 48,9% do total, e aumentou para 33,8% o percentual de famílias com dívidas há mais de um ano. Também subiu para 19,4% a proporção de famílias que afirmaram ter mais da metade da renda comprometida com dívidas, maior nível desde fevereiro, quando atingiu 19,5%. Permaneceu em 12,5% a parcela de famílias que disseram não ter condições de pagar as dívidas em atraso e, portanto, permaneceriam inadimplentes no próximo mês. Há diferenças por faixa de renda. Entre famílias com rendimento mensal de até três salários mínimos, 38,5% tinham dívidas em atraso, ante 38,8% em agosto; na faixa de três a cinco salários mínimos, o indicador caiu de 28% para 27,8%; entre cinco e dez salários mínimos, recuou de 20,3% para 20,2%; e acima de dez salários mínimos, a inadimplência subiu de 14,9% para 15%. Segundo a CNC, apesar de dependerem mais do crédito para manter o consumo, as famílias de menor renda foram as que mais reduziram o endividamento no mês, o que pode contribuir para melhorar a capacidade de pagamento. O cenário é acompanhado pelo governo federal, que anunciou em setembro uma nova fase do Desenrola Brasil, programa de renegociação de débitos, com previsão de compra de carteiras de dívidas inadimplentes para negociar descontos com consumidores. Para os próximos meses, a CNC projeta novas reduções na proporção de famílias com contas em atraso no próximo trimestre, acompanhadas de estabilização do endividamento. A Peic é realizada mensalmente desde janeiro de 2010, com cerca de 18 mil consumidores em todas as capitais e no Distrito Federal, cobrindo cartão de crédito, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado, empréstimo pessoal, carnês e financiamentos. A pesquisa mostra redução da inadimplência em setembro com aumento do comprometimento da renda, do tempo médio de atraso e das dívidas de prazo mais longo, cenário relevante para a análise de risco de crédito e capacidade de pagamento dos consumidores.
FONTE ORIGINAL:
https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/economia/inadimplencia-cai-em-setembro-mas-familias-comprometem-mais-renda-com-dividas
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