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BofA vê crédito mais frágil e prefere bancos defensivos
Publicado em: 18/08/2026 13:19
O Bank of America (BofA) elevou o alerta sobre a qualidade do crédito no Brasil após a temporada de resultados do segundo trimestre de 2026, adotando postura defensiva em relação aos bancos brasileiros. Em relatório, a instituição aponta que indicadores recentes reforçam uma deterioração gradual da saúde financeira das famílias, pressionada pela combinação de juros elevados e endividamento próximo de máximas históricas. Segundo os analistas, os balanços de bancos e varejistas mostraram sinais consistentes de enfraquecimento do consumidor. A recomendação é de maior seletividade, com preferência para instituições que possuem carteiras de crédito mais diversificadas e perfil considerado menos sensível ao crédito de consumo. Um dos pontos centrais do relatório é o avanço do custo de risco (CoR), indicador que mede o impacto das perdas com crédito sobre o resultado das instituições. O BofA observou que o CoR subiu na maior parte dos bancos acompanhados, em meio a um cenário de inadimplência ainda pressionado. As despesas com provisões para perdas também cresceram em ritmo mais acelerado que a expansão das carteiras de crédito, sugerindo que as instituições estão aumentando a proteção contra perdas futuras relacionadas ao calote. Os maiores aumentos do custo de risco foram registrados em empresas mais expostas a clientes de baixa renda ou com portfólios menos diversificados, como Santander Brasil (SANB11), Porto (PSSA3) e operações financeiras ligadas ao varejo. Por outro lado, Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) tiveram comportamento mais estável, beneficiados por carteiras mais amplas. O relatório destaca que o comprometimento da renda das famílias brasileiras chegou a 49,8%, enquanto o serviço da dívida atingiu 28,5%. A inadimplência das famílias seguiu em alta, com atrasos em operações de crédito para pessoas físicas aumentando 20 pontos-base no segundo trimestre e acumulando elevação de 50 pontos-base no ano. Mesmo com o suporte do programa Desenrola, a tendência continua desfavorável. As conclusões do BofA também se apoiaram nos balanços do varejo. O Assaí (ASAI3) destacou restrições no consumo e a troca por produtos mais baratos. A Casas Bahia (BHIA3) mencionou o alto endividamento dos consumidores e a piora da qualidade do crédito, tendo entrado com pedido de recuperação judicial nesta semana, com dívida de R$ 17 bilhões. Outro tema recorrente foi o avanço das apostas online, apontado por diversas companhias como fator adicional de pressão sobre o orçamento das famílias, reduzindo a capacidade de consumo e de pagamento de dívidas.
FONTE ORIGINAL:
https://www.spacemoney.com.br/credito/bofa-credito-bancos-defensivos
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