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Bradesco cresce lucro sob ventos contrários, mas inadimplência limita recuperação estrutural

Publicado em: 23/10/2026 14:19
Bradesco cresce lucro sob ventos contrários, mas inadimplência limita recuperação estrutural
O Bradesco apresentou o 11.º trimestre consecutivo de crescimento sequencial do lucro líquido, no terceiro trimestre, enquanto navega um plano de transformação estratégica. O crescimento, porém, convive com aumento da inadimplência em carteiras de pequenas e médias empresas, varejo de pessoa física e no banco John Deere, focado em financiamento ao agronegócio, segundo o banco. O presidente Marcelo Noronha descreveu um cenário de Selic persistentemente em dois dígitos e de incertezas sobre a política fiscal, com comprometimento de renda das famílias maior e endividamento das empresas, o que levaria a mais cautela no crescimento da carteira. Para se proteger, a instituição intensifica a rotação do crédito em favor de operações com garantia, com margem financeira e rentabilidade mais contidas, compensadas em parte pelo controle de custos e pela resiliência das receitas com serviços. O lucro líquido recorrente somou R$ 7,1 bilhões no trimestre, alta de 14,6% na comparação anual e de 0,8% frente aos três meses anteriores. O retorno sobre patrimônio ficou em 15,6%, indicador diluído pelo aumento de R$ 10 bilhões no capital, sem o qual a métrica teria ficado praticamente estacionada em 16,1%. As despesas com provisões para devedores duvidosos cresceram 24% em 12 meses, totalizando R$ 10,6 bilhões no trimestre, com o custo de crédito avançando de 3,3% para 3,7% da carteira. Entre os fatores apontados para as provisões estão os segmentos rural, grupos de cartão de crédito para pessoa física e o John Deere. Em pequenas e médias empresas, linhas com garantia de programas do governo responderam por metade do aumento da inadimplência na passagem trimestral, em razão de prazos de carência e da espera para solicitar a honra da garantia, período em que a operação entra na métrica de atrasos. A inadimplência acima de 90 dias avançou de 4,3% em junho para 4,6% em setembro. A maior provisão pressionou a margem financeira líquida, somada ao mix de crédito mais conservador, com spreads mais baixos. A margem com clientes cresceu 10,1% em 12 meses, para R$ 20,5 bilhões, e a margem com mercado voltou a R$ 875 milhões. As receitas com serviços avançaram, sobretudo em mercados de capitais e rendas de cartões de crédito, e as despesas operacionais recuaram cerca de 1%, para R$ 16,3 bilhões. Para analistas citados na reportagem, os resultados indicam um equilíbrio entre a recuperação estrutural e a qualidade de ativos. A Genial Investimentos entende que o trimestre preserva a trajetória de recuperação, mas que o próximo estágio depende do banco voltar a crescer a carteira sem nova piora da inadimplência. Já a equipe do BTG aponta perda de fôlego no ritmo de recuperação do lucro, criando ponto de partida mais desafiador para 2027 e risco de queda nas estimativas do mercado, observando que as ações chegaram a cair mais de 1% no início da tarde após a divulgação.
FONTE ORIGINAL:
https://www.estadao.com.br/economia/negocios/bradesco-cresce-lucro-inadimplencia-limita-recuperacao-estrutural
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