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Crédito rural: inadimplência chega a 9,7% e carteira problemática soma R$ 205 bilhões, aponta estudo

Publicado em: 20/10/2026 12:00
Crédito rural: inadimplência chega a 9,7% e carteira problemática soma R$ 205 bilhões, aponta estudo
A inadimplência do crédito rural de pessoas físicas atingiu 9,69% em agosto de 2026, maior nível da série do Banco Central, segundo estudo de pesquisadores do Cepea/Esalq-USP. Considerando também operações com atrasos menores, prorrogadas e renegociadas, a carteira problemática alcançou R$ 205 bilhões, equivalente a 23,8% do crédito rural registrado no Sicor. A análise relaciona o avanço dos atrasos ao encarecimento do crédito, à redução das margens dos grãos e à mudança nas fontes de financiamento. O estudo aponta forte assimetria entre modalidades: em agosto de 2026, a inadimplência era de 17,6% nas operações a taxas de mercado contra 3,8% nas operações a taxas controladas. Operações a taxas livres respondiam por cerca de 43% do saldo de pessoas físicas, mas concentravam aproximadamente 77% do valor inadimplente. Os autores observam que recursos privados com taxas livres passaram de 5% das contratações em 2013 para 47% em 2023, ficando em 40% em 2025, ampliando a sensibilidade da dívida ao movimento dos juros de mercado. A taxa média de novas concessões a pessoas físicas subiu de 6,3% ao ano em 2021 para 12,2% em 2025. Aplicando essas taxas à carteira ativa, o estudo estima que a despesa anual com juros tenha aumentado de cerca de R$ 34 bilhões para R$ 99 bilhões em valores corrigidos para 2025, com o peso em relação à renda agropecuária passando de 3,9% para 11,4%. Os autores ressaltam que o cálculo indica uma ordem de grandeza, e não o desembolso efetivo, pois parte das operações antigas mantém encargos menores. O documento argumenta que a relação entre dívida e renda não explica isoladamente o recorde de atrasos: em 2025, a carteira de financiamentos rurais equivalia a 94% do PIB-renda da agropecuária, faixa compatível com a observada entre 2013 e 2019, porém a inadimplência de dezembro de 2025 alcançou 6,6%, cerca de três vezes a média dos meses de dezembro daquele período anterior. A carteira problemática de R$ 205 bilhões se distribui em R$ 105 bilhões em renegociações, R$ 31 bilhões em prorrogações, R$ 48,5 bilhões em inadimplentes e R$ 21 bilhões em operações com atraso de até 90 dias, tendo passado de R$ 95 bilhões entre agosto de 2024 e agosto de 2026. Cinco estados — Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Paraná — reuniam 59% da carteira problemática nacional. O Rio Grande do Sul liderava com R$ 44,2 bilhões, com forte participação de renegociações e prorrogações, enquanto outros estados apresentam atrasos mais diretos, com taxas superiores a 15% no Maranhão e Tocantins. O estudo também identifica pressão sobre fornecedores e agroindústrias, cita dados da Serasa Experian com 1.990 pedidos de recuperação judicial no agro em 2025, e observa alcance limitado da MP 1.376/2026, com R$ 5,98 bilhões renegociados até 5 de outubro, cerca de 5% do montante potencial estimado de R$ 120 bilhões. Os autores ressaltam que os dados mostram associações, mas não comprovam causalidade. Entre as propostas apresentadas estão coordenação entre credores, planos de fluxo de caixa acompanhados de assistência técnica, fortalecimento dos instrumentos de seguro e maior transparência sobre as condições das renegociações.
FONTE ORIGINAL:
https://www.portaldoagronegocio.com.br/economia/mercado-financeiro/noticias/credito-rural-inadimplencia-chega-a-9-7-e-carteira-problematica-soma-r-205-bilhoes-aponta-estudo
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